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sábado, 4 de julho de 2009

ENTREVISTA COM ADAM GUSSOW.
























Músico e professor Norte Americano, ficou famoso mundo afora pelo seu canal no Youtube, onde ensina muitas e variadas técnicas de gaita de boca diatônica.


1. Como e quando começou a tocar a harmônica?

Iniciei no fim do meu “ensino médio” quando tinha 16 anos. Todos em minha escola adoravam a música Whammer Jammer, tocada por Magic Dick da J. Geils Band. Eu me dirigi ao shopping Center local e comprei uma gaita Marine Band em dó (C) e outra em lá (A) e decidi que iria aprender sozinho como tocá-las.





2. Você participou de algum curso ou iniciou sozinho?

Até 1985 eu não tive professor algum, quando eu me juntei a um músico de Nova York chamado Nat Riddles. No início, tudo que eu tinha eram minhas gaitas e alguns álbuns de bons músicos, como Sonny Terry, Paul Butterfield, Paul Oscher (em um disco chamado “Mississipi Mandolin” de Johnny Young), a banda The Clímax Blues Band (cujo gaitista não recordo o nome ... [Collin Cooper] ), outros álbuns de J. Geils, Sonny Boy Williamsom (Rice Miller...aquele com os Yardbirds). Eu comecei a tocar violão e guitarra por volta da mesma época, então passei metade de meu tempo copiando melodias de gaita destes discos e a outra metade do tempo copiando temas de Eric Clapton, B. B. King, Joe Pass (eu amava tanto jazz quanto blues), Kenny Burrell, Albert King, Fredie King, The Allman Brothers, etc.





3. Que harmonicistas foram suas maiores influências?

Bem, meu professor, Nat Riddles, foi uma grande influência em todas as formas. Me ensinou muito sobre bloqueio de língua. Ele exigiu que eu escutasse Kim Wilson, Big Walter Horton, Sugar Blue. Seu vibrato era o melhor que eu jamais havia ouvido, e ele tinha um incrível senso de “swing”. Ele mantinha um tempo muito sólido, mas podia mudar os tons antes ou depois da batida de uma forma incrível, e eu estudei aquilo. Em termos de músicos que contribuíram para a sonoridade que tenho atualmente, James Cotton (timbre magnífico e “swing” explosivo), Sugar Blue (padrões de tercina muito rápidos), Paul Butterfield (padrões de tercina rápidos), John Lee Wiliamson (ele é a raiz), Big Walter Horton (ótimas notas de blues e toca muito). Eu roubei algumas melodias de Little Walter, claro, mas eu também tentei modelar minha própria sonoridade independente da dele, uma vez que muitos outros músicos se perdem em seu som e acabam por nunca encontrar seu próprio som. Eu gosto muito da tocada do Kim Wilson, entretanto, seu vocal não mexeu tanto comigo como, por exemplo, o de Junior Parker ou Lou Rawls. Eu adoro a tocada de William Clarke em “Blowing Like Hell”, mas não me moldei na tocada dele, não conscientemente pelo menos. Mas eu preciso adicionar algo importante, somente metade do que eu toco na gaita pode ser rastreado como influência de outros gaitistas. Muito do que eu faço foi inspirado em saxofonistas e guitarristas. Uma vez que eu aprendi a fazer “overblow” com William Galison em 1987, me peguei muito menos interessado no que outros gaitistas estavam fazendo, se não estivessem utilizando a técnica do “overblow”, ele soavam muito antiquados para mim! Neste ponto, eu passei a maior parte de meu tempo copiando saxofonistas e muito pouco tempo copiando gaitistas. Minhas principais influências no sax foram Houston Person, Hank Crawford, Maceo Parker, King Curtis, Arnett Cobb e Willis “Gator Tail” Jackson.




4. Você crê que a internet pode ser utilizada de forma efetiva a encorajar as pessoas a tocar gaita?

Eu penso que tornou muito mais fácil para harmonicistas iniciantes sentir do que se trata a gaita blues. Mas não, eu acho importante as que as pessoas vejam gaitistas tocando cara a cara, não somente um vídeo ou áudio. Eu cheguei ao ponto de ir assistir cada gaitista que foi tocar em Nova York entre 1985 e 2002, quando lá morei.




5. Você conhece o trabalho de gaitistas Brasileiros?

Não, na verdade não. Muitas pessoas direcionaram minha atenção à gaitistas do Brasil, mas tenho a vergonha de dizer que não me recordo seus nomes! Isso soa terrível, peço desculpas! Eu devo dizer que como um músico Norte Americano, a música brasileira me impressiona muito como um todo. Claro, morando em Nova York eu tive a chance de assistir alguns músicos brasileiros em turnê, incluindo Tânia Maria (de perto em um barco que navegava pelo porto) e vários grupos de capoeira. Há uma sensação doce e amarga com relação à qualidade da música brasileira, mais doce que amarga, extremamente doce e sentimental em alguns casos, mas com uma complexidade poderosa de ritmo por trás disso, o que me lembra de certos tipos de blues e “rhythm and blues”.





6. Você conhece alguma marca brasileira de gaitas, se sim, quais suas impressões sobre.

Eu creio que Hering vem do Brasil, mas não tenho certeza. Eu sou um usuário Hohner e basicamente ignorante sobre a grande variedade de gaitas que os gaitistas utilizam nos dias atuais.





7. O que você acha da técnica do cromatismo da gaita diatônica?

Como disse antes, eu sou um utilizador da técnica desde 1987. Naquela época, eu conhecia somente uns quatro gaitistas que lançavam mão de “oveblows”, Howard Levy (claro, nosso Deus), Carlos Del Junco (meu amigo de muitos anos), William Galison (ele tocava bem a diatônica, mas é um gênio da cromática), e eu. Carlos e eu fomos os únicos dois gaitistas a gravar ativamente no final dos anos 80 e início dos anos 90 e que tocavam blues amplificados utilizando a técnica do “overblow” (caso esteja errado, por favor me corrija – me orgulho de ser um bom historiador). Mas agora, claro, a técnica se tornou muito mais popular, entretanto alguns dos gaitistas tradicionalistas não utilizam a técnica, pois nenhum dos gaitistas “clássicos” a utilizaram. Mas e daí? Vivemos hoje, não antigamente. Para mim, é meu dever e responsabilidade dos gaitistas de blues contemporâneos utilizarem as técnicas atuais que estão à sua disposição em um esforço para trazer o blues para a era moderna. A música somente sobrevive se músicos se responsabilizam por: a) Aprender do tradicional e b) Trabalhar para atingir um novo e distinto som. Todos os blues que hoje chamamos de “clássicos”, como Juke de Little Walter ou Three O` Clock in the Morning de B. B. King, que foram que foram muito novas e modernas quando lançadas pela primeira vez. Eu acredito que meu bom amigo Jason Ricci é o melhor exemplo de um músico contemporâneo de blues que está “fazendo nova música” à sua maneira. E claro, é um “overblower”.




8. Você tem planos de visitar o Brasil e fazer alguns shows?

Eu ADORARIA visitar o Brasil, tocar um pouco, dar palestras e ensinar gaita, e claro, tocar com alguns músicos brasileiros. Minha esposa quer vir junto! Mas eu não tenho planos de visita no momento, a menos que algum promotor esteja disposto a encarar o projeto e me levar. Eu tenho certeza que irá acontecer nos próximos 5 a 10 anos, no entanto.





9. Qual seu modelo favorito de gaita?

Eu toco a Hohner Marine Band há 33 anos.






10. Você vive de sua música?

Não, mas provavelmente poderia, sou professor de Inglês e estudos sulistas na Universidade do Mississipi em Oxford, sendo assim, tenho estabilidade e um emprego pela vida toda e não posso ser realmente ser despedido. Esta é a coisa mais distante de ser um músico, que está constantemente preocupado em ganhar dinheiro. Então de alguma forma, após gastar muitos anos de minha vida ralando para sobreviver como músico e professor de música, eu finalmente consegui me firmar, e agora estou curtindo a vida. Eu provavelmente não poderia dar tantas lições grátis no Youtube caso meu cargo de professor interino não me sustentasse.





11. Por último, mas não menos importante, gostaria de dizer algumas palavras de encorajamento aos gaitistas brasileiros que estão aprendendo através de seu canal?

Sim. Encontrem seu próprio som. Eu tenho certeza que é tentador, como um gaitista brasileiro, utilizar os melhores gaitistas Norte Americanos como medida de seu estilo e habilidades. Mas vocês podem ser melhores que isso. Descobrir o que é o Blues Brasileiro. Eu acredito fortemente que a música muda quando as pessoas têm a coragem de assumir riscos em nome da inovação. Uma das mais conhecidas músicas de blues Norte Americanos é “St. Louis Blues” de W. C. Handy, mas a verdade é que a ponte que foi criada por Handy, ao visitar Havana em Cuba, ela tem um “sabor” latino. Quando eu finalmente visitar o Brasil, espero que os gaitistas brasileiros me mostrem um pouco do “sabor” nativo ao som, acompanhado de adições melódicas e harmônicas ao repertório “clássico” de gaita. Então irei aprender algo novo também.



PARA CONHECER:


http://www.youtube.com/user/KudzuRunner

http://www.modernbluesharmonica.com/home.html





A presente entrevista foi elaborada por Igor Cortes, Philippe Wilson e por mim (André Ribeiro).
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